A Formação de Israel e o Lamento por Jerusalém
- Silas Stein Garcia

- 15 de mai.
- 3 min de leitura

Na mesma semana em que seria traído, Jesus fez um lamento sobre a cidade de Jerusalém, onde iria morrer, que é uma das passagens mais reveladoras das escrituras:
“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa vos é deixada deserta; porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.”
Mateus 23:37-39
Após denunciar a cidade como assassina dos enviados de Deus, Jesus faz uma revelação espantosa, Ele mesmo tentou, por diversas vezes, reunir o povo de Israel ali e confortá-los e protegê-los de forma maternal, como a galinha cuida de seus pintinhos. A pergunta óbvia que fica dessa declaração é, em que momento do ministério de Jesus encarnado isso ocorreu? Em nenhum momento dos evangelhos é declarado que Jesus tentou reunir os habitantes em Jerusalém.
A sugestão mais óbvia dessa declaração é que Ele estava falando da história do povo de Israel em que Jesus, a manifestação física do Deus de Israel, tinha trabalhado para unir aquele povo obstinado e rebelde debaixo de Sua autoridade. A declaração revela ainda um ar de sofrimento de alguém que foi rejeitado. Israel não reconheceu e virou as costas para o Seu Deus por diversas vezes, e a situação que estava por vir na semana seguinte seria o clímax de uma longa história de fuga d’Aquele que poderia salvá-los.
Então Jesus faz uma profecia para um futuro próximo. Jerusalém ficaria deserta, seria abandonada, ou seja, seus habitantes seriam levados ao exílio. De tal forma que o ataque esmagador e a destruição completa da cidade em 70 d.C., não gerou surpresa aos primeiros cristãos. Era parte do cumprimento dessa promessa. Na diáspora, Jerusalém foi destruída e seus habitantes espalhados pelo Império Romano.
E como um adeus Jesus conclui profetizando que após a sua morte Jerusalém não o veria mais, Ele ficaria oculto para os judeus e para a sua cidade santa, pelo tempo que fosse necessário até que finalmente o povo da cidade reconhecesse e dissesse: “Bendito é o que vem em nome do Senhor”. Mas como os judeus da cidade de Jerusalém poderiam reconhecer Jesus como Messias, se a cidade havia ficado deserta?
Ou seja, analisando o texto, percebemos que outra profecia deveria se cumprir para que essa última parte pudesse ser concretizada: em algum momento da História, os judeus precisariam voltar a sua cidade. Construir casas, habitar ali para que, como legítimos representantes da cidade de Jerusalém pudessem dizer: é Ele, é Jesus, Ele é o Messias enviado, Ele é o Rei de Israel, Ele é o vem em nome do Senhor.
E após 1878 anos da Diáspora, de forma completamente milagrosa, o Estado de Israel voltou a existir como nação e no ano seguinte a velha Jerusalém voltou a ser sua capital. Nenhuma nação da história sobreviveu a tanto tempo de exílio, mas Israel manteve sua identidade e tradição por quase dois milênios, em cumprimento a profecia.
A existência de Israel deve ser celebrada, não porque eles sejam um povo melhor do que os demais, mas porque por si só, a existência desse povo nos ajuda a lembrar da promessa:
“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.”
Mateus 24:35

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